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O chamado Bloco Operário e Camponês teve grande importância nos acontecimentos de 1930, evidenciada no apoio dado pelo Partido Comunista à revolução capitaneada por Getúlio Vargas, visto então como carrasco da burguesia nacional.
1889, constituiu a primeira grande mudança de regime político
ocorrida desde a Independência. Republicanistas “puros”, como
Silva Jardim, defendiam uma mudança de regime que, a exemplo da
França, tivesse como resultado maior participação da população na
vida política nacional. Mas, vitoriosos, os republicanos
conservadores, como Campos Sales, mantiveram o modelo de
exclusão política e sociocultural sob nova fachada. Ao
“Parlamentarismo sem povo” do Segundo Reinado, sucedeu uma
República praticamente “sem povo”, ou seja, sem cidadania
democrática.
Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma
interpretação. São Paulo: Editora SENAC, 2008, p. 552 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando
aspectos marcantes da história brasileira entre o regime monárquico
do século XIX e a Primeira República, julgue (C ou E).
A Revolução de 1930 rompeu com as deterioradas
estruturas da República Velha ao encampar a consistente
ideologia do tenentismo e alçar ao poder Getúlio Vargas,
cuja expressão política se restringia ao Rio Grande do Sul.
República, Washington Luís, foi deposto por um
movimento armado dirigido por civis e militares de três
estados da federação, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e
Paraíba. Terminava, assim, a Primeira República. O
episódio ficou conhecido como a Revolução de 30,
embora tenha havido, e ainda haja, muita discussão sobre
o uso da palavra revolução para descrever o que
aconteceu.
A Primeira República caracterizava-se pelo
governo das oligarquias regionais, principalmente das
mais fortes e organizadas, como as de São Paulo, Minas
Gerais e Rio Grande do Sul. A partir da segunda década
do século, fatos externos e internos começaram a abalar o
acordo oligárquico. Entre os externos, devem-se
mencionar a Grande Guerra, a Revolução Russa e a
quebra da Bolsa de Nova York em 1929.
José Murilo de Carvalho. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001, p. 89 (com adaptações).
Ainda considerando o assunto abordado no texto, o termo
revolução, embora questionado, é de uso freqüente na
historiografia brasileira quando se trata de denominar o
movimento que, em 1930, depôs Washington Luís e alçou o
gaúcho Getúlio Vargas à chefia do governo federal. No que
respeita à crise que abalou o pacto oligárquico e que culminou
com a vitória do movimento armado dirigido por Minas Gerais,
Rio Grande do Sul e Paraíba, julgue (C ou E) os itens seguintes.
Por não ser um país industrializado, o Brasil passou
incólume pela Crise de 1929 e, apenas tangencialmente,
sentiu a impacto da grande depressão econômica do
início dos anos 1930, o que explica o sucesso da
política econômica adotada pelo governo Vargas.
À época da independência, a economia colonial podia ser descrita de maneira simplificada. Era composta por: latifúndios voltados para a produção de mercadorias exportáveis, como o açúcar, o tabaco, o algodão; fazendas dedicadas à produção para o mercado interno (feijão, arroz, milho) e à criação de gado, estas sobretudo no norte e no sul; e centros mineradores já em fase de decadência. Acrescente-se, ainda, grande número de pequenas propriedades voltadas para a agricultura e a pecuária de subsistência. Nas cidades costeiras, capitais de províncias, predominavam o grande e o pequeno comércio. Os comerciantes mais ricos eram os que se dedicavam ao tráfico de escravos.
A única alteração importante nessa economia deu-se com o desenvolvimento da cultura do café. Já na década de 30, o produto assumira o primeiro lugar nas exportações. Mas o café não mudou o padrão econômico anterior: era também um produto de exportação baseado no trabalho escravo. Esse modelo sobreviveu ainda por mais cem anos. Só começou a ser desmontado após 1930. As conseqüências da hegemonia do café foram principalmente políticas. O fato de se ter ela estabelecido a partir do Rio de Janeiro ajudou a consolidar o novo governo do país, sediado nesta província. Se não fosse a coincidência do centro político com o centro econômico, os esforços da elite política para manter a unidade do país poderiam ter fracassado.
J. M. de Carvalho. Fundamentos da política e da sociedade brasileiras. In: L. Avelar e
A. O. Cintra (orgs.). Sistema político brasileiro: uma introdução. Rio de Janeiro:
Fundação Konrad-Adenauer-Stiftung; São Paulo: Fundação UNESP, 2004, p. 23.
Segundo o texto V, o histórico padrão econômico seguido pelo Brasil somente “começou a ser desmontado após 1930” (R.21-22). No que concerne ao papel da Revolução de 30 no contexto da experiência republicana brasileira, julgue (C ou E) os itens que se seguem.
A Revolução de 30 rompeu com a hegemonia política em mãos da burguesia do café ao longo de toda a República Velha. A perda de poder político das antigas elites, substituídas por novos grupos ascendentes, foi a tônica do período iniciado com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder.
À época da independência, a economia colonial podia ser descrita de maneira simplificada. Era composta por: latifúndios voltados para a produção de mercadorias exportáveis, como o açúcar, o tabaco, o algodão; fazendas dedicadas à produção para o mercado interno (feijão, arroz, milho) e à criação de gado, estas sobretudo no norte e no sul; e centros mineradores já em fase de decadência. Acrescente-se, ainda, grande número de pequenas propriedades voltadas para a agricultura e a pecuária de subsistência. Nas cidades costeiras, capitais de províncias, predominavam o grande e o pequeno comércio. Os comerciantes mais ricos eram os que se dedicavam ao tráfico de escravos.
A única alteração importante nessa economia deu-se com o desenvolvimento da cultura do café. Já na década de 30, o produto assumira o primeiro lugar nas exportações. Mas o café não mudou o padrão econômico anterior: era também um produto de exportação baseado no trabalho escravo. Esse modelo sobreviveu ainda por mais cem anos. Só começou a ser desmontado após 1930. As conseqüências da hegemonia do café foram principalmente políticas. O fato de se ter ela estabelecido a partir do Rio de Janeiro ajudou a consolidar o novo governo do país, sediado nesta província. Se não fosse a coincidência do centro político com o centro econômico, os esforços da elite política para manter a unidade do país poderiam ter fracassado.
J. M. de Carvalho. Fundamentos da política e da sociedade brasileiras. In: L. Avelar e
A. O. Cintra (orgs.). Sistema político brasileiro: uma introdução. Rio de Janeiro:
Fundação Konrad-Adenauer-Stiftung; São Paulo: Fundação UNESP, 2004, p. 23.
Segundo o texto V, o histórico padrão econômico seguido pelo Brasil somente “começou a ser desmontado após 1930” (R.21-22). No que concerne ao papel da Revolução de 30 no contexto da experiência republicana brasileira, julgue (C ou E) os itens que se seguem.
Foi flagrante o impacto sobre a economia brasileira da quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, ocorrida em outubro de 1929. Ao atingir vigorosamente o café, contribuiu para o agravamento da crise institucional que desaguou na deposição do presidente Washington Luís.
nos trópicos, ela é inteiramente nova. Se nossas classes dominantes se
revelam infecundas, o mesmo não se passa com o povo, no seu
processo de autocriação. E é com essa vantagem de sermos mestiços,
que vamos chegar ao futuro.
Foi, aliás, em busca do futuro que passamos todo um século a
indagar quem somos, e o que queremos ser, e a projetar imagens de
nós mesmos, espelho contra espelho. A cada sístole e a cada diástole
desses cem anos corresponderam visões otimistas e pessimistas,
barrocas e contidas, esperançosas e desalentadas. Pois cada momento
— o da Belle Époque, o da Revolução de 30, o do Estado Novo, o da
redemocratização, o do dia seguinte ao suicídio de Getúlio Vargas, o
do desenvolvimentismo dos anos 50, o do regime militar e o da
segunda redemocratização — refez o retrato do Brasil. Mudou, ao
longo do tempo, a linguagem com que nos descrevemos. E mudou
também o país acerca do qual se dissertava. Lidos um após outro, os
nossos evangelistas soam dissonantes, mas, juntos, se corrigem ou
polifonicamente se completam.
Alberto da Costa e Silva. Quem fomos nós no século XX: as grandes interpretações do
Brasil. In: Carlos Guilherme Mota (org.). Viagem incompleta: a experiência brasileira
(1500–2000) — a grande transação. São Paulo: SENAC, 2000, p. 38, (com adaptações).
A partir da análise contida no texto apresentado e considerando
aspectos significativos da trajetória republicana brasileira, julgue os
itens que se seguem.
A Revolução de 30 constituiu-se na maior inflexão da história
republicana brasileira, quer pela radical ruptura que promove em
relação aos métodos e às práticas políticas da República Velha,
quer pelo modelo inovador — para muitos, verdadeiramente
revolucionário — de Estado que implantou. Seu maior legado foi
a modernização econômica e política do país, além de ter
inaugurado uma política externa de elevado grau de autonomia,
que colocou o país fora da rota de polarização ideológica que
caracterizava a política internacional às vésperas da Segunda
Guerra.