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Uma nova ordem internacional emergiu ao fim dos grandes conflitos da primeira metade do século XX, sendo uma de suas expressões mais vigorosas o nascimento da Organização das Nações Unidas, na cidade de Nova Iorque (EUA), em agosto de 1945.
Quando a Segunda Guerra chegou ao fim, a realidade mundial era
outra, bem distante da que existia antes de 1939. A aliança entre
norte-americanos e soviéticos durante o conflito, vital para a
derrota do Eixo nazifascista, desfez-se e foi substituída pela
acirrada disputa por zonas de influência em escala planetária.
A propósito desse novo quadro mundial, julgue (C ou E) os itens
seguintes.
A Organização das Nações Unidas (ONU), cujo
desenho básico fora traçado ainda durante a Segunda
Guerra, nasceu para repetir, com pequenas e
superficiais alterações, a vitoriosa trajetória da Liga das
Nações, organismo surgido no pós-Primeira Guerra por
sugestão do presidente norte-americano Woodrow
Wilson.
Há algo que não se pode dizer do século XX: que foi um
tempo de brumas, silêncios e mistérios. Tudo nele foi a céu aberto,
agressivamente iluminado, escancarado e estridente. E, no entanto,
ele é ainda um enigma — um claro en igma, parafraseando
Drummond —, e dele não podemos fazer o necrológio completo. E
porque findou como uma curva inesperada da história, em um
astucioso desencontro do que achávamos ser o futuro, turvou nossa
memória e nosso olhar. E tornou-se pedra e esfinge, com um brilho
que ainda cega e desafia.
O século XX foi, sem dúvida, um século das utopias.
O seu andamento coincidiu com a máxima expansão das categorias
fundamentais do mundo moderno — sujeito e trabalho —, eixos que
presidiram a atualização e exasperaram os limites do liberalismo e do
socialismo, as duas grandes utopias da modernidade. E talvez por isso
exiba uma característica única e contraditória: parece ter sido o mais
preparado e explicado pelos séculos anteriores e, simultaneamente,
o que mais distanciou a humanidade de seu passado, mesmo o mais
próximo, decretando o caráter obsoleto de formas de vida e
sociabilidade consolidadas durante milênios.
O século XX sancionou o Estado-nação como a forma, por
excelência, de organização das sociedades em peregrinação para o
futuro e em busca de transparência. Os Estados nacionais ergueramse
como personagens privilegiadas de uma história humana cada vez
mais cosmopolita, para lembrar Kant, modificando de forma radical
a paisagem do mundo. Com eles, o direito assumiu progressivamente
a condição de um idioma universal, reagindo sobre o passado e
destruindo velhas estruturas hierárquicas fundadas em privilégios e na
tradição.
Mas o século XX não é apenas um tempo de esperanças.
É também o século do medo e das tragédias injustificáveis. A dura
realidade dos interesses provoca dois grandes conflitos mundiais, um
tenso período de guerra fria e uma interminável série de guerras
localizadas. Um século de violência dos que oprimem e dos que se
revoltam.
Rubem Barboza Filho. Século XX: uma introdução (em forma
de prefácio). Apud: Alberto Aggio e Milton Lahuerta (Org.).
Pensar o século XX. São Paulo: Unesp, 2003, p. 15–9 (com
a d a p t a ç õ e s ) .
Quando o texto fala no direito assumindo “ progressivamente
a condição de um idioma universal” ao longo do século XX,
certamente se refere, entre outros aspectos, ao surgimento da
Li g a d a s Nações e da Organização das Nações Unidas
(ONU), ambas criadas a partir de pressupostos ideal i s t as e
razoavelmente apartadas do jogo d e interesses e de
manipulação do poder por parte dos Estados nacionais.
1968, no âmbito das relações internacionais, foi ditado pela supremacia
de dois gigantes sobre o mundo. Os EUA e a União Soviética (URSS)
assenhoraram-se dos espaços e criaram um condomínio de poder que só
foi abalado no final da década de 60 e início da de 70.
Existiram, no entanto, nuances no sistema condominial de poder.
Da relação quente da Guerra Fria (1947–1955) à lógica da coexistência
pacífica (1955–1968), as duas superpotências migraram da situação de
desconfiança mútua para uma modalidade de convivência tolerável.
Da corrida atômica do final da década de 40 e início da de 50 às
negociações para um sistema de segurança mundial sustentado no
equilíbrio das armas nucleares, os dois gigantes evoluíram nas suas
percepções acerca da avassaladora capacidade destrutiva que
carregavam.
José Flávio Sombra Saraiva. Dois gigantes e um condomínio: da Guerra Fria
à coexistência pacífica. In: José Flávio Sombra Saraiva (org.). Relações
internacionais: dois séculos de História – entre a ordem bipolar e o policentrismo
(de 1947 a nossos dias). Brasília: IBRI, 2001, p. 19 (com adaptações).
Tendo o texto apresentado como referência inicial e considerando as
relações internacionais do pós-1945, julgue os itens a seguir.
A mesma linha idealista que presidiu a criação da Liga
das Nações após a Grande Guerra de 1914, guardadas
as naturais singularidades de um outro momento
histórico, está presente na Conferência de São
Francisco (1945), da qual surgiu a Organização das
Nações Unidas (ONU). A existência de uma
Assembléia Geral com poder deliberativo, em que
todos os Estados se igualam no direito à voz e ao voto,
e de um Conselho de Segurança com razoável simetria
entre seus membros, reforça o clima de concórdia que,
pouco mais de duas décadas antes, embalara os 14
pontos do presidente Wilson.